sábado, 30 de maio de 2009

E esse tal de Pilates?

Será que o Pilates é mais uma moda que vai passar?
Responder a esta pergunta com profundidade demanda compreender a história do Método Pilates e o que o Pilates representa para o mundo neste momento.
O Método Pilates existe há cerca de 80 anos, mas se tornou amplamente conhecido nos Estados Unidos há cerca de 25 anos, quando adquiriu forte respaldo do meio médico e científico pelos seus resultados.
Será que o Pilates é mais uma moda que vai passar?
A divulgação do Pilates foi feita ao longo dos anos essencialmente através do boca a boca de quem teve sucesso praticando, e como reconhecimento dos resultados do trabalho pela imprensa, interessada em um método que conquista um número exponencialmente crescente de adeptos em todo o mundo - o treinamento em Pilates nos EUA cresceu 602% entre 2000 e 2006. Assim, a demanda gerada pelo Pilates não foi criada via marketing, não se trata de um boom impulsionado pela mídia.
Não houve nenhuma grande empresa ou grandes investimentos de publicidade para tornar o Pilates conhecido como o é hoje. O caminho é justamente o contrário: à medida que o conhecimento sobre Pilates cresceu entre profissionais e amadores, atraiu a atenção da mídia.

Vivemos um momento de grande aumento na expectativa de vida das pessoas combinado com a busca por permanecer com qualidade de vida e saúde ao longo dos anos. Os analistas internacionais da área de saúde chamam este momento de “Active Aging”, em que a atividade física é um elemento fundamental para a conquista da saúde, e que métodos alternativos à musculação e aeróbica provêem para o bem estar que se busca.
Quando analisamos este panorama em relação ao histórico de Pilates percebemos uma “coincidência histórica” inquestionável. Há uma sincronia muito grande entre o crescimento do “Active Aging” e a explosão do Pilates de forma globalizada.
Será simples coincidência? Será o Pilates simplesmente moda?
A resposta nos parece muito clara, não há como falar em moda quando nos referimos ao Pilates, e sim de uma metodologia revolucionária que provê o que a humanidade busca em dado grau, e que seguirá crescendo por muitos e muitos anos.
Esta conclusão nos conduz a uma outra pergunta:
Como planejar os investimentos no Pilates a longo prazo se queremos eleger o Pilates como carreira ou negócio? Esta pergunta é valida tanto para o profissional da área de movimento ou de saúde, que vislumbra no Pilates o caminho para o seu futuro, como para o empresário, seja de pequeno, médio ou grande porte que quer investir em um negócio da área do Fitness e/ou do Bem-estar.
A grande problemática em torno desta questão se faz presente para quem enxerga o método como uma oportunidade para obtenção de resultados imediatos, o que tem ocorrido com freqüência nos últimos anos – e traz um fator de grande risco que poderá levar o Pilates ao descrédito.Um planejamento que visa essencialmente o resultado em curto prazo, leva à busca de cursos de formação de curta duração com pouco embasamento e escolha dos equipamentos baseando-se em preço em detrimento de qualidade e durabilidade.
Apostando na valorização constante do bem-estar e da busca pelo envelhecimento com saúde e dinamismo, a análise dos investimentos no Pilates que dará bons frutos precisa considerar uma linha de tempo de 10-15 ou 20 anos. Neste sentido, a longevidade da atividade com qualidade e reconhecimento do público estará baseada em investimentos em uma formação sólida, continuada e internacionalmente reconhecida, e em equipamentos que durarão por toda a vida, e um ótimo preço de revenda no mercado de usados no caso de substituição.
Acreditamos que profissionais e empresários inteligentes e competentes que desejam um retorno sólido e durável de verba e tempo investidos saberão a importância do planejamento que pense além do curto prazo e terão um retorno contínuo e crescente com o Pilates.
escrito por admin
Método Pilates - Benefícios para a terceira idade
De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) em seu documento “Envelhecimento ativo: Uma política de saúde”, uma atividade física regular e moderada reduz o risco de morte por problemas cardíacos em 20 a 25% em pessoas com doença do coração diagnosticada, além de reduzir substancialmente a gravidade de deficiências associadas à cardiopatia e outras doenças crônicas.
Assim, o Método Pilates estaria enquadrado neste contexto para prevenção primária, secundária e terciária da saúde.
O Método Pilates foi idealizado por Joseph Pilates e é um programa completo de condicionamento físico e mental que tem como objetivo melhorar o equilíbrio entre a performance e esforço, através da integração do movimento, a partir do centro estável e sinestesia realçada. Trabalha o corpo como um todo – corrige a postura e realinha a musculatura, desenvolvendo a estabilidade corporal necessária para uma vida mais saudável e longeva (Steers, 2006).
Joseph Pilates juntou os melhores aspectos das disciplinas dos exercícios orientais e ocidentais, e é o equilíbrio desses dois mundos. Do Oriente, Pilates trouxe as filosofias de contemplação, relaxamento e a ligação entre corpo e mente. Do Ocidente, trouxe a ênfase no enrijecimento muscular e a força, a resistência e a intensidade de movimento. Seu método utiliza o corpo inteiro, e não apenas uma parte dele. Usando o corpo inteiro, equilibra-se o uso de grandes músculos superficiais com profundos e pequenos músculos de resistência, responsáveis por manter a força interior(Craig, 2003).
Seus princípios são: relaxamento, concentração, alinhamento, respiração, coordenação e resistência.
Os benefícios deste método são: aumento de força, maior controle muscular, integração corpo e mente, melhora da capacidade respiratória, aumento da flexibilidade, fortalecimento, correção da postura, reestruturação do corpo, prevenção de lesões, aumento da consciência corporal, aumento da auto-estima e alivio de dores musculares (Camarão, 2004).
Pilates considerou a área abdominal em conjunto com os músculos profundos da coluna, bem como os centros de força do corpo, “casa de força” (Powerhouse) que é a área entre as costelas superiores e a pélvis.
Um dos princípios fundamentais do método Pilates é que a “casa de força” é o centro de todo movimento: quanto mais forte a casa de força, mais poderoso e eficiente é o movimento. Portanto, antes de cada exercício de Pilates, um centro é recrutado, empurrando delicadamente o umbigo e contraindo os músculos profundos do abdômen.
O objetivo é manter o centro corporal estável enquanto os movimentos de braços e pernas são executados com precisão.
Os três músculos abdominais (o reto abdominal, os oblíquos externos e internos e o transverso abdominal) trabalham com os músculos da coluna (os mais importantes são os multífidos e o quadrado lombar) para formar o centro de força.
Os praticantes do método Pilates também incluem o assoalho pélvico na “casa de força” pela forma que este arranjo de músculos e ligamentos conecta-se ao sistema nervoso central dos músculos profundos abdominais. Localizados na partem de baixo da pélvis, o assoalho pélvico consiste de músculos utilizados para controlar o fluxo da urina e impurezas sólidas do corpo. Fortalecer estes músculos nas pessoas idosas é importante, pois neste período a incontinência urinária e fecal é muito freqüente (Craig, 2004).
Influência na Postura
A postura incorreta faz mais do que diminuir a auto confiança e a dignidade: obstrui a respiração, tensiona os músculos e ligamentos e pode afetar adversamente as articulações da coluna, propensas a artrite, artrose e dor generalizada. As alterações de postura do idoso são: cifose constituída pela cifose dorsal e cervical – a cabeça é projetada para frente e os ombros ficam cronicamente curvados, repuxando apenas os músculos do pescoço; diminuição da curvatura lombar; aumento do ângulo de flexão do joelho e o deslocamento da articulação coxofemoral para trás e a inclinação do tronco para frente.
A rigidez articular e muscular que se instala nos idosos será trabalhada através dos exercícios do método Pilates, assim como a tensão em trapézios e paravertebrais que em conjunto com a “casa de força” levará a uma postura mais alongada.
Vários músculos do sistema respiratório estão inseridos nas vértebras lombares e cervicais e nas costelas influenciando a postura. O diafragma é um músculo respiratório que separa o tórax do abdomen.
Quando a “casa de força” nos exercícios do método Pilates é acionada através da respiração, o diafragma é trabalhado levando inclusive a um relaxamento e gerando uma postura correta.
Influência na flexibilidade .
Nos exercícios de Pilates os alongamentos são estimulados sempre, levando a uma maior flexibilidade do corpo. Com o envelhecimento, torna-se maior o número de ligações de colágeno intra e intermolecular, o que dificulta o “deslizamento” das proteínas. O tecido fica mais rígido, menos elástico e mais propenso a lesões. Com um estilo de vida pouco ativo, o envelhecimento, a imobilização e as doenças neuromusculares diminuem o tamanho e a quantidade de tecido colágeno. Conseqüentemente, o tecido muscular se enfraquece e a elastina aumenta proporcionalmente. Dessa forma, o tecido combina a elasticidade com a fraqueza.
Uma vida ativa é primordial para manter a homeostase entre a síntese de colágeno e sua degradação.
A síntese do colágeno depende da habilidade da célula em transmitir a força mecânica em uma ação bioquímica.
Sabe-se que exercícios de alongamento estimulam a renovação de colágeno para suportar maior estresse. Além disso, melhoram a homeostase entre as glicosaminas e a água, conservam o espaçamento interfibrilas e diminuem as condições favoráveis a formação de adesões (Achour Jr, 2006).
Nos diabetes do idoso as regiões mais limitadas de flexibilidade são as falanges e os ombros.
Achour (2006) relata que Jósza& Kannus (1997) revisaram várias pesquisas, evidenciando que os diabetes também afeta o tendão.
Assim, observamos que os exercícios de Pilates ajudam ao idoso com diabetes trabalhando com alongamentos e exercícios de força para melhorar a flexibilidade e a força em ombros e tendões.
Articulações mal alinhadas e frouxas facilitam a instalação de lesões e osteoartroses nos idosos. Há revisões de literatura (Achour Jr, 2006) em que se observou que lesões nos ligamentos colaterais e lesões do menisco associavam-se ao desenvolvimento da osteoartrose em idades prematuras.
Instalada a osteoartrose no joelho e quadril, ela aumenta o custo energético para determinado esforço, dificultando a subida e descida de escadas. Em algumas situações, pode impedir a movimentação até em atividades simples como jardinagem e passeios em parques.
O idoso consegue eliminar a rigidez da osteoartrose e grande parte da dor mediante a pratica contínua de exercícios de Pilates, ativando assim a circulação e diminuindo os espasmos musculares.
É importante para o idoso manter índices de flexibilidade, porque com isso consegue-se interromper a redução natural da flexibilidade. Assim os efeitos dos exercícios de alongamento são positivos independentes do aumento da flexibilidade (Achour Jr, 2006).
Influência na Osteoporose
Na osteoporose há muita fragilidade do esqueleto e maior suscetibilidade à fratura após pequenos traumas, além de dores nas costas devido a contraturas musculares ou por microfraturas e deformidade da coluna com diminuição da altura da pessoa.
Geralmente o fêmur e a coluna são as mais acometidas.
Nos exercícios de Pilates trabalha-se com exercícios de fortalecimento dos músculos envolvidos com estas estruturas e de extensão da coluna visando melhora da força muscular, condicionamento físico e coordenação (Frontera, 2001).
“Se aos 30 anos você está sem flexibilidade e fora de forma, você é um velho. Se aos 60 anos você é flexível e forte, você é um jovem” (Joseph Pilates)
A postura adotada ao sentar, tem grande influência no estado apresentado pela pessoa no final do dia. Aquela postura apresentada por grande parte das pessoas, com ombros caídos, pescoço tensionado e coluna arqueada além de não favorecer o visual, faz mal à saúde.





A forma de sentar e levantar pode ocasionar fadiga e conseqüentemente maior cansaço ao final do dia, desânimo e às vezes até alteração no rendimento.
Postura é a posição do corpo. Boa postura compreende-se o arranjo harmônico das partes constituintes do corpo, quando este se encontra parado ou em movimento.
Adotar uma boa postura exige cuidados importantes que devem ser adquiridos desde a infância.


A posição comumente adotada por grande parte das pessoas em atividades domésticas, profissionais e de lazer é a posição sentada, essas são mais propensas a sofrer com dores nas costas do que aquelas que se movimentam mais. Portanto, é interessante ficar atento à postura, bem como a cadeira utilizada, que deverá ter o assento firme para não forçar as articulações vertebrais.
A postura correta ao andar é ereta, sem jogar o corpo para os lados ou os ombros para frente. Ao carregar pesos, evite o sobrepeso, distribuindo igualmente o peso para os dois lados.
O método Pilates ajuda a melhorar a postura para evitar o surgimento de desvios de coluna e dores musculares, além de favorecer o realinhamento postural.

O Método Pilates e a Prevenção de Fraturas Osteoporóticas

Sendo o Método Pilates uma proposta de atividade física com finalidades terapêuticas, utiliza-se para a prevenção e/ou tratamento de diversas patologias osteo-mio-articulares (Pires & Sá, 2005) como a osteoartrite (Yakut et alli, 2005) e até mesmo em gestantes (Balogh, 2005).


No caso específico da prevenção de fraturas osteoporóticas, o pilates pode ser indicado por promover o aumento da força muscular, o ganho de flexibilidade, a melhora da coordenação motora, do equilíbrio, da postura, propriocepção e da respiração.
O ganho de força muscular é conquistado através de exercícios resistidos por cargas externas, que podem ser a gravidade, o peso do próprio corpo, as molas dos aparelhos ou as bolas Bobath, solicitados de acordo com a realidade de cada cliente.


O aumento da força auxilia na remodelação óssea, através do estímulo mecânico que a contração muscular imprime aos ossos, promovendo a proteção destes. O fortalecimento, assim como em qualquer modalidade esportiva, é conquistado gradativamente.
O alongamento gradativo dos músculos conquistado com o método promove a diminuição de encurtamentos e tensões musculares localizadas, os quais podem ser responsáveis por alterações posturais significativa e deixar estruturas ósseas mais suscetíveis à forca mecânica. Além disso, o alongamento bem orientado auxilia no reequilíbrio muscular entre os grupos agonistas e antagonistas (Aparício & Perez, 2005).
O estímulo à coordenação motora é constante durante a realização dos exercícios do Método Pilates. Ela é conquistada através da precisão dos movimentos e dos recursos utilizados durante o exercício. O manuseio das molas e bolas, realização de exercícios unilaterais, bilaterais e alternados, exige que o praticante demonstre domínio e, dessa forma, obtem-se trabalhos coordenados (Lange et al, 2000).O manuseio destes equipamentos também impõe ao praticante a necessidade de equilíbrio corporal para a manutenção das posturas em que os exercícios devem ser realizados. Logo, o equilíbrio se torna um dos grandes objetivos do método e um de seus diferenciais (Pires & Sá, 2005).O alongamento axial promovido pelo pilates é importante na prevenção das microfraturas das vértebras, principalmente das torácicas que são as mais acometidas, por diminuir a compressão exercida entre uma vértebra e sua adjacente.
Pela ênfase dada ao trabalho respiratório durante a realização de cada um dos exercícios, o pilates promove a reeducação da respiração e, dessa forma, reduz a tensão e o gasto de energia dos músculos envolvidos no processo respiratório.
Somando-se todos os objetivos almejados pelo pilates, obtem-se o que se caracteriza como uma das filosofias do método, que é a melhora da consciência corporal, isto é, o autoconhecimento, fundamental para a realização de cada um dos movimentos do corpo. Pilates valoriza muito a interação do corpo e da mente para que haja perfeita harmonia e menor gasto de energia durante a realização das atividades da vida diária (Aparício & Perez, 2005).
Sabe-se que toda e qualquer atividade física deve ser adaptada para atender as necessidades do indivíduo com osteoporose e possibilidade de fratura (Forwood, 2000). Com o pilates, deve ser da mesma forma.. Cabe ao instrutor de pilates ter conhecimento a respeito da osteoporose, para que seja possível adaptar os exercícios a necessidade de cada um (Betz, 2005).
A adaptação dos exercícios é feita com base na avaliação física do indivíduo e em seu potencial risco de fratura. Assim é possível determinar a intensidade, freqüência e tipo de exercícios a serem realizados (Betz, 2005).
Portanto, tendo como precauções basicamente as mesmas de outras modalidades esportivas, o pilates pode ser realizado por indivíduos osteoporóticos, como forma de auxílio a prevenção de quedas e melhora da saúde geral.

Como praticar Pilates sem os famosos e caros aparelhos
Talvez você mesma já tenha passado por isso. Poucas pessoas podem se dar ao luxo de ter acesso aos centros de Pilates, por se tratar de uma técnica personalizada, que requer um equipamento especial. É por isso que nos últimos anos surgiram variações do método que, segundo especialistas, apresentam os mesmos resultados. Se você ainda não tentou, agora pode conhecê-los.
Variação sem aparelhos
O Pilates é uma atividade que, por oferecer possibilidades diferentes para cada exercício, permite que pessoas de todo tipo possam praticá-los. É altamente recomendado, inclusive para a terceira idade, já que produz benefícios nas articulações (em caso de artrose). Além disso, previne a osteoporose, protegendo a estrutura óssea. Também não causa lesões, porque os exercícios são realizados sem impacto. São muitos os acessórios utilizados hoje em dia para substituir os aparelhos de Pilates.


Colchonetes, faixas elásticas, bastões, caneleiras, pesos de um quilo, bolas pequenas e grandes de borracha, steps e cordas são os mais utilizados nas academias do mundo.“Os exercícios são os mesmos, com a mesma eficácia, desde que realizados corretamente” assegura a instrutora Solange Rittor, uma defensora dessa técnica que, ao contrário das outras disciplinas, combina força e flexibilidade, modificando a estrutura do músculo sem aumentar seu volume… o objetivo de todas as mulheres, ou não?
Como praticar corretamente
O segredo para que o Pilates cumpra sua verdadeira missão é realizar o máximo de esforço sob uma supervisão correta. Nesse caso, os exercícios sobre colchonetes não se diferem muito daqueles praticados nos aparelhos originais; eles possibilitam a integração do grupo, pois quando são realizados na forma passiva, é possível compensar qualquer falta de capacidade própria (por exemplo, de força ou flexibilidade) com a ajuda de um colega.
Mas os instrutores dão ênfase especial ao fato de que os movimentos e as contrações musculares devem ser feitos com consciência, para que as posturas sejam executadas corretamente.
Também ensinam a levar essa percepção do corpo para a vida cotidiana, alinhando a coluna, contraindo glúteos e ajustando as pernas durante as atividades diárias.
É possível, experimente.
A febre do Pilates
O Pilates, método que integra o corpo e a mente, conquista brasileiros e famosos
Tente visualizar o seu corpo como se fosse uma orquestra sinfônica. Cada músculo corresponde a um instrumento com som e melodia próprios.
Tudo na mais perfeita ordem. Sem que nota alguma soe desafinada, sem que um arranjo grave se sobreponha a um agudo. Assim, a música ecoa de forma agradável e prazerosa.
A analogia serve para explicar um pouco como funciona o método que é a febre mundial do momento. Trata-se do pilates, uma técnica que procura trabalhar músculo, tendão, vértebra e osso de forma harmônica para fazer o corpo funcionar como uma música melódica.
A modalidade desenvolvida pelo alemão Joseph Pilates aportou primeiro nos Estados Unidos, para onde havia se mudado na década de 20, quando abriu seu estúdio em Nova York, atraindo basicamente bailarinos. Hoje, nada menos do que seis milhões de pessoas estão lotando academias de pilates naquele país, segundo dados da Pilates Method Alliance (PMA), organização internacional dos profissionais da área.
E entre seus fãs figuram estrelas do quilate de Madonna, Julia Roberts e Brad Pitt.
É um exército que movimenta uma indústria de US$ 18 bilhão anuais.
Revista IstoéSeção: Boa forma
Pilates é fisioterapia ou condicionamento físico?
Você estava com dor e seu médico indicou Pilates?
Percebeu mudança na postura de alguém por estar fazendo Pilates?
Quer malhar e modelar seu corpo, sem carregar peso repetitivamente?
Possui algum desvio na coluna e sente incomodo ao fazer esforço físico?
Tem interesse em saber com quem ou onde fazer Pilates?
Pilates e Osteoporose
Estima-se que cerca de 15 milhões de brasileiros estarão propensos, este ano, a desenvolver a osteoporose, cujos sintomas mais comuns são as dores nas articulações e nos ossos, que só acontecem depois das fraturas.
Como o Método Pilates pode auxiliar na prevenção e tratamento desta doença?
Osteoporose significa osso poroso.
Um osso que era forte e tornou-se frágil após alterações do metabolismo mineral e aos desequilíbrios nutricionais. Pelo fato de ser assintomática a osteoporose é chamada de Doença Silenciosa. Os principais sintomas são as fraturas, que acontecem em estágios avançados da doença. Os principais locais atingidos são: punho, vértebras, costelas e colo do fêmur.
A deficiência de cálcio e de vitamina D, juntamente com a deficiência estrogênica, são fatores causais muito importantes. O tabagismo, sedentarismo e dietas com alta ingesta de refrigerantes, cafeína, álcool, sódio e açúcar também estão na lista de itens que aumentam o risco de osteoporose.
Medidas preventivas podem ser tomadas desde a infância e adolescência. Esta é a melhor forma de proteção contra o aparecimento da osteoporose. Estratégias incluem equilíbrio nutricional, atividade física moderada e medicamentos apropriados, quando necessário.
Um estudo no qual mulheres idosas foram observadas durante alguns anos, mostrou que as que se exercitaram durante o período tiveram um aumento da massa óssea de 2,3%. Enquanto que as mulheres que permaneceram sedentárias durante esse tempo mostraram uma diminuição de 3,3%.
“A força muscular sobre os ossos constitui o estímulo fundamental para a manutenção e o aumento da massa óssea”Pilates X Osteoporose
Os exercícios físicos para o tratamento da osteoporose devem promover fortalecimento, equilíbrio e coordenação. A massa óssea é relacionada à ação da musculatura sobre o osso, deste modo, exercícios gravitacionais são mais efetivos.
Um programa ideal de atividade física deve ter exercícios aeróbios de baixo impacto, exercícios de fortalecimento muscular e para melhora da propriocepção, a fim de diminuir a incidência de quedas.
Sabendo que é muito importante que esses exercícios sejam realizados com o paciente suportando o seu próprio peso, em função da força que os músculos exercem sobre os ossos da coluna e dos membros inferiores, o PhysicalMind Institute de Nova York desenvolveu o Standing Pilates.
Trata-se de exercícios do Método clássico desenvolvido por Joseph Pilates, adaptados para a posição de pé com a finalidade de aumentar alinhamento postural, desenvolver força, equilíbrio, concentração e aumentar a densidade mineral óssea.
Fonte: Breibart , Joan. Standing Pilates: Strengthen and Tone Your Body Wherever You Are.
escrito por admin

terça-feira, 17 de março de 2009

Treinamento Funcional

O treinamento funcional veio para ficar, e sem dúvida é a melhor ferramenta para manter o condicionamento e o corpo em forma.
A estimulação é diferente do treino tradicional na musculação, e esse é o principal diferencial que traz mais benefícios, acelerando o resultado dos treinos.
Alguns dos princípios do treinamento funcional foram expostos na revista Saúde é Vital.


AÇÃO


Nada de se sentar ou se apoiar. Durante o treino funcional é preciso movimentar o corpo inteiro. O objetivo é solicitar diversas habilidades físicas — FORÇA, FLEXIBILIDADE, COORDENAÇÃO, EQUILÍBRIO —, todas ao mesmo tempo, já que elas atuam em parceria na hora do esforço, na vida real.




TRIDIMENSIONAL


O exercício é executado em três planos — VERTICAL, HORIZONTAL e DIAGONAL.


O esforço é superior ao da musculação tradicional, em que os movimentos se restringem a um plano por vez.

SINERGIA
Os músculos trabalham em conjunto. Veja como, durante movimento, a força executada se transfere de uma parte a outra do corpo: primeiro os pés (1), passando por pernas (2), quadris (3), tronco (4) e, finalmente, chegando aos braços (5). Com isso a musculatura fica preparada para executar suas funções de maneira eficiente e sem dor.

EXERCÍCIO VERSÁTIL

Os exercícios trabalham mais de uma habilidade, embora uma sempre predomine.
Equílibrio: A superfície instável ativa os proprioceptores — terminações nervosas que funcionam como sensores de movimento e posição corporal.

O resultado é a melhora significativa do equilíbrio.

Os músculos profundos que sustentam a coluna e os abdominaisficam fortes.Olhe para baixo! Os pés são a interface entre o chão e o restante do corpo. Ou seja, se estão fortes e ágeis, ajudam a pessoa a se equilibrar e a fazer força.

Como o uso contínuo de sapatos os deixa frágeis e fracos, vale a pena executar alguns movimentos com eles descalços para exercitar a sua musculatura.
O objetivo do treino funcional é melhorar a qualidade de vida e a performance física e esportiva. As vantagens são maiores e logo você sente o resultado.


Flexão de membros inferiores, obs. quanto a manutenção postural.






Abdominal, com elevação de tronco.











Flexão de braços, observe quanto ao tronco reto e abdomen contraído afim de manter a postura trabalhando também musculatura do tronco.






Força musculatura do tronco (core).














1 2 3 4 5
  1. flexão de braços utilizando o peso do corpo como carga de trabalho, aproximar o aparelho do torax mantendo o tronco reto e abdomem contraído durante a execução


  2. Quadríceps , flexionar a perna estando a outra apoiada no aparelho, tome cuidado para o joelho não passar da ponta do pé durante a execução mantenha posturae equilíbrio.
Um exercício que desafia a lei da gravidade, no qual o corpo fica inclinado e totalmente suspenso por fitas de náilon, é uma das novidades para ganhar fôlego, força, equilíbrio e flexibilidade. As tiras, que podem ser usadas em casa, em parques, em academias e no trabalho.

No exercício funcional suspenso o conjunto de duas fitas reguláveis é sustentado por um mosquetão, tem manoplas paras as mãos e apoios para os pés, além de suporte para fixação em portas ou paredes.
Com o equipamento é possível alongar e fortalecer todos os músculos, a partir de inúmeras posições.
A vantagem é que a atividade pode ser realizada em pequenos espaços e o aluno não precisa ser de circo ou ginasta olímpico.
Por outro lado, o treino com as fitas exige bastante concentração e um pouco de força.
Tanto que não é recomendado para indivíduos totalmente sedentários.
Além disso, ficar inclinado, mesmo que por alguns minutos, deixa o corpo dolorido nas horas seguintes após o exercícios.
Com as fitas reguláveis o corpo inteiro é trabalhado, sem isolar músculos, como ocorre geralmente no treinamento de força convencional.
Há exercícios sentado, em pé, deitado, de costas e até totalmente de cabeça para baixo.
Apesar de fortalecer bíceps, tríceps, ombros, peito, quadríceps, posterior de coxa, costas e glúteos, as partes mais exigidas são os músculos da região abdominal e lombar. São eles que sustentam toda a estrutura.
Treino dura cerca de 30 minutos
Ela explica que as fitas não funcionam como aparelhos convencionais de musculação com indicações específicas para alguns grupamentos. As tiras acionam a musculatura profunda do corpo, exigem muito, e há risco de lesão.
O treinamento inicial tem cinco fases.

A primeiro é o aquecimento.

Depois o usuário treina membros superiores, inferiores, abdômen, lombar, glúteos e termina com alongamento.

Nesta fase são 15 exercícios e movimentos para todo corpo, em 18 minutos.



















No programa básico, os professores sugerem uma série de cada exercício, num total de 20 minutos a 30 minutos.



No nível intermediário, recomenda-se duas séries de cada exercício, num total de 30 minutos a 40 minutos.

Os mais preparados conseguem fazer até três séries de cada exercício, por 50 minutos.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Treinamento Funcional

Treinamento Funcional

O segredo está no equilíbrio
O treinamento funcional trabalha grande parte dos músculos do corpo num único exercício, queima muitas calorias e desenvolve a coordenação motora.

PEITORAIS
Normalmente, os exercícios no Crossover trabalham apenas os peitorais. Ao fazer o exercício com a bola, para se equilibrar de joelhos sobre ela o aluno tem de contrair o abdome, os glúteos e, sobretudo, a musculatura interna das coxas.

Para os iniciantes, a posição ideal sobre a bola é a sentada, que tem grau de dificuldade menor.

O caminho das imensas bolas de vinil rumo às academias começou a ser trilhado em meados da década de 90.
Utilizadas originalmente por fisioterapeutas na recuperação de vítimas de lesões musculares e articulares, elas foram incorporadas primeiro às aulas de alongamento.
Em seguida, passaram a ser usadas nas aulas mais leves de ginástica localizada.

Agora, estão nas salas de musculação.
A definição muscular feita com bolas é chamada de treinamento funcional. Um único exercício é capaz de trabalhar a maioria dos músculos do corpo.
Não importa o grupo que se priorize, cada série de movimentos sobre a bola mobiliza 70% de toda a musculatura.

E mais: 45 minutos de treinamento funcional queimam, em média, 50% mais calorias do que uma sessão de musculação nos moldes tradicionais.
O treino fica mais puxado por causa do esforço que o aluno tem de fazer para se equilibrar sobre a bola.
Esse tipo de exercício desenvolve ainda a coordenação motora, a postura e, obviamente, o equilíbrio.


TRÍCEPS

Os tradicionais exercícios de flexão trabalham principalmente os tríceps. Quando feitos na bola, eles exigem muito também do abdome.
Com as mãos apoiadas no chão , a flexão fica mais fácil.


Ainda assim, obriga o aluno a contrair as coxas, os glúteos e a musculatura lombar.



Com as mãos apoiadas na bola, o exercício requer mais equilíbrio, o que aumenta o trabalho de todos os músculos do corpo.


EQUILÍBRIO

Algumas das maiores habilidades exploradas pelo treinamento funcional são o equilíbrio e a concentração.

Quanto menor o contato do corpo com a bola, maior o grau de dificuldade do exercício.



Primeiro, os alunos aprendem a sentar-se na bola.

Depois, sentam-se sem colocar os pés no chão.
O processo segue até que eles consigam chegar à posição (dificílima) da foto, em que apenas uma mão e a parte inferior de uma perna estão apoiadas na bola
No treinamento funcional, a flexão, por exemplo, deixa de ser apenas um exercício para desenvolver os tríceps e os peitorais.
Com as mãos apoiadas na bola – em vez de firmadas no chão –, o aluno tem de manter o corpo inteiro contraído, especialmente o abdome.

Do contrário, a bola zanza de um lado para outro.

Criado nos Estados Unidos, o treinamento funcional foi desenvolvido inicialmente para a preparação de atletas profissionais.


Ele é muito utilizado, por exemplo, pela equipe americana de basquete Chicago Bulls e por vários pilotos de Fórmula 1.

Para cumprir todas as etapas, é preciso ter paciência.
Primeiro, o aluno aprende a sentar-se na bola.





Depois, a permanecer nessa posição sem encostar os pés no chão.
O outro passo é ficar de joelhos.


O processo segue até que ele consiga realizar posições complicadíssimas, como aquela em que se faz levantamento de peso, de pé sobre a bola.


Além das bolas, o treinamento funcional lança mão de outros acessórios, como rampas e extensores de borracha.

COXAS
No exercício de agachamento, a instabilidade gerada pela plataforma faz com que os alunos trabalhem, além da musculatura das coxas, a da região lombar e de outras partes do corpo, como os glúteos.




Além disso, para se manter em cima da rampa, é preciso contrair o abdome.

O agachamento sobre rampas desenvolve ainda a concentração e a coordenação motora





PERNAS
Do modo tradicional, o agachamento trabalha sobretudo a coxa da perna que está à frente.


Na execução do exercício com a bola, a perna de trás também é trabalhada.

Para que a bola não "dance", pé, panturrilha e joelho têm de estar contraídos.

Como a perna que está à frente precisa equilibrar o corpo inteiro, ela é mais trabalhada no agachamento com bola do que no exercício tradicional


ABDOMEN
Diferentemente do abdominal tradicional, o que é feito sobre a bola não condiciona apenas os músculos abdominais.

Ele também trabalha as coxas e os glúteos.

Além de exigir um esforço maior de todo o corpo, a bola protege a lombar de lesões – muito freqüentes nos abdominais feitos no chão.



O exercício destina-se ao condicionamento dos músculos inferiores e superiores do abdomem.







Exercício Funcional Suspenso


Baseado no treinamento funcional, o equipamento que desafia a lei da gravidade, pois é possível trabalhar com o corpo, parcial ou totalmente suspenso na execução dos movimentos.



Seu uso proporciona ganhos de força, equilíbrio e flexibilidade em um mesmo treino, além de ser divertido, rápido e eficiente.


São fitas de náilon reguláveis com manoplas para as mãos e apoios para os pés que permitem que você realize diversos exercícios e trabalhe todos os músculos do corpo.

Objetivos e benefícios :

  • Trabalho muscular completo;
  • Desenvolvimento de força, equilíbrio e flexibilidade;
  • Melhora da coordenação motora;
  • Previne e reabilita lesões;
  • Preparação básica para demais atividades;
  • Grande gasto energético (cerca de 350 cal em 30 minutos de atividade).

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Educação física Não é Esporte ?

Educação física Não é Esporte ?

"O culto único do corpo, como hoje se apregoa, não satisfaz porque é bruto, insensível, não troca, não usufrui, não sente.

É incapaz de diferenciarmentalmente as nuances da vida, impotente diante da sensibilidade e percepção espiritual - bonecos, corpos esculturais, pedras híbridas de vida.

A conjunção corpo - espírito - emoção é impossível sem passarmos pela ponte mente - a grande porta para o território das sensações"


Nuno Cobra

Para Helal (1990), esporte é qualquer competição que inclua uma medida importante de habilidade física e que esteja subordinada a uma organização mais ampla que escape ao controle daqueles que participam ativamente da ação.
Os pressupostos básicos que caracterizam o esporte estão ligados a idéia de competição, performance, motivação extrínseca e inflexibilidade das regras. Estes pressupostos aliados às influências externas da política, da psicologia, do marketing, da administração, da sociologia, caracterizam o esporte como atividade peculiar (VERENGUER, 1989).

A prática esportiva está presente desde os primórdios da humanidade, onde o seu verdadeiro sentido se transforma com a realidade atual, esta mutação pode ocorrer, por exemplo, desde a busca por uma condição física até para a atividade competitiva em si.



O esporte é na atualidade um dos principais fenômenos sociais e uma das maiores instituições do planeta. Ele tem refletido a forma como a sociedade vem se organizando, espelhando as diferenças entre Estados, povos e classes sociais, além de se tornar um dos principais elementos da indústria cultural contemporânea, matéria prima dos meios de comunicação de massa e uma das poucas formas, reconhecidamente, honestas de rápida ascensão social (RÚBIO 2002).






Esporte e educação

As crianças são mantidas imóveis enquanto "aprendem" porque ainda persiste o ranço de que o corpo que se movimenta não tem nada a ver com a mente que raciocina... a desordem é ignorada no espaço da ordem. Uma não convive jamais com a outra.


Freire (1991) As pessoas são "educadas" como se fossem um espírito ou uma mente.


O corpo fica do lado de fora das instituições.

A caricatura das escolas é um corpo minúsculo com uma imensa cabeça.

Quando na escola a Educação Física se volta única e exclusivamente para a prática esportiva existe uma exclusão daqueles que mais necessitariam desenvolver-se. O profissional da área se marginaliza pelo fato de só saber trabalhar com o corpo, desprezando outros aspectos do ser humano, como o cognitivo, afetivo, social e psicológico.
Na concepção dos professores de Educação Física em determinadas ocasiões, o esporte é considerado como um conteúdo mínimo e único, o que acaba se tornando a exclusiva prioridade a ser promovida entre seus alunos: aos que jogam bem, a oportunidade de praticar; aos que possuem dificuldades, acabam como juiz, gandula ou ainda sentados no banco, só observando a turma jogar.

Nestes casos, não há saúde social, ou, sequer, saúde motora.

Como deve se sentir o aluno que permanece sentado durante toda a atividade dos colegas? O que ele acaba por representar? E sobre a prática de distribuir os alunos em dois times, onde são escolhidos um por vez, alternadamente: como se sente o último a ser escolhido? Como "resto"? São estas as práticas a serem repensadas (BARRETO, 2003).
Em desacordo com a percepção de estética, os PCN's opõem atividades competitivas a recreativas - como se tal divisão fosse humanamente possível - afirmando que nas primeiras se valoriza a eficiência e nas segundas atividades a plasticidade estética.

A harmonia corporal conseguida para se atingir a perfeição atlética resulta num conjunto de movimentos esteticamente conseguidos, isto já para não falar das modalidades de muita estética, tais como as diversas ginásticas, principalmente a rítmica e a aeróbica, que acabam sendo colocadas como de manutenção da saúde e não em um outro item de atividades rítmicas ou expressivas ou mesmo inseridas nas atividades de competição.

Existe a necessidade de dissociar a Educação Física escolar de treinamento esportivo.

A inserção dos alunos obesos, lentos e sem muita coordenação motora trará mais qualidade de vida ao conjunto, ensinando, não apenas, nossos limites, mas também em como conviver com os limites alheios.
Nas escolas, os pré-requisitos para os professores de Educação Física não devem ser grandes atletas que sabem jogar, devem ser grandes professores que saibam ensinar.

Do contrário, o Esporte deixa de ser um agente de inclusão social para ser um fator de exclusão social, onde "quem joga bem, joga; quem não joga bem, que fique quieto e não atrapalhe" (BARRETO, 2003).

Não tem como negar que o esporte é um facilitador para desenvolver atitudes de respeito, disciplina, companheirismo, a relação intra e interpessoal e assimilação de vários conceitos. Contudo se a sua prática visa apenas o rendimento e grandes performances em competições de alto nível, fazendo com que as aulas de Educação Física escolar se transformem em treinos que propõem apenas o rendimento padronizado e permite que só uma minoria tenha sucesso sobre a grande maioria rotulando - os desde cedo de fracassados, o esporte, dentro da escola, pecará no cumprimento de seus reais objetivos.

Para uma educação satisfatória e de sucesso dentro da Educação Física é importante referir que a prática desportiva constitui um fator principal na construção da cidadania, já que especificamente compõe um dos raros espaços de que o educando dispõe para vivenciar a ludicidade.


Soma-se a este aspecto o valor do esporte em poder incentivar a procura por hábitos saudáveis desde cedo, prevenindo males e procurando combater o sedentarismo.

Esporte e saúde, esporte e estilo de vida ativo, esporte e participação, esporte e inclusão social, esporte e cidadania, esporte e qualidade de vida: eis as questões que devem nortear a prática educativa através do esporte educacional.


O poder de crítica do educador, certamente, será fundamental para fazer da escola o espaço político onde o destaque não seja apenas pela produção de riquezas, mas também como uma forma de permitir ao educando vivenciar a sua própria humanidade
Esporte e saúde
Cada vez mais está sendo possível presenciar com freqüência termos como "stress" e "qualidade de vida" devido ao momento atual do país e a carga árida com a qual as pessoas estão sendo sobrecarregadas, e sobre estes termos é que os objetivos e os fins da ação educacional da Educação Física devem operacionalizar sua prática através do esporte orientado principalmente para o bem estar.
Para Ribeiro (2001) saúde é alegria de viver.

É estar encantado com a vida.

É ter entusiasmo, alegria, vitalidade, disposição.

Saúde é um processo de equilíbrio do organismo.
São milhões de mecanismos interagindo e movimentando o interior do seu corpo para que tudo funcione adequadamente.
A pessoa encantada pela vida tem o cérebro trabalhando na formação de hormônios de altíssima qualidade que vão nutrir a perfeita elaboração da química interna nos bilhões de reações que ocorrem no organismo todo o tempo.
Muitas vezes os esportes são praticados de forma incorreta, podendo representar desafios inatingíveis, níveis de exigência incompatíveis com realidade atual, que acabam levando a situações de risco para a saúde ou mesmo na melhor das hipóteses a desistência de um projeto que se mostrava promissor.
A prática esportiva, ainda que em excesso, não mata ninguém isoladamente. Mas também não se pode negar que essa prática desmedida, muitas vezes cobrada dos atletas atualmente, tem papel decisivo na evolução de determinados quadros patológicos, tornando o atleta mais vulnerável a determinadas complicações.



Sendo assim, a situação só chegará a condições críticas se houver uma doença pré-existente - o esporte não cria cardiopatias (MARQUES, 2004).

Esporte e democracia
Para uma Educação Física e o Esporte realmente preocupados com o ser humano não basta concordar plenamente com a sociedade.

É necessário que se faça uma permanente crítica social; seja sensível às diversas formas de repressão a que as pessoas estão sujeitas e as ajudem a entender os seus determinismos e superar os seus condicionamentos, tornando -as cada vez mais livres e humanas (MEDINA, 1989).
Existe a predominância da racionalização e o fenômeno da descorporalização, e a exploração do corpo do trabalhador no sistema capitalista, corpo separado do espírito, dominado pelas elites e devidamente controlado pelo Estado, que agiu nos corpos dos indivíduos, oprimindo-os e dominando-os.

A abstração inerente ao modo de produção capitalista trouxe, assim, a ruptura das relações imediatas do ser humano com seu corpo e com a natureza, gerando a valorização do intelectual em detrimento do trabalho corporal e manual, destinado sempre às classes dominadas. (GONÇALVES, 1994).
Está cada vez mais claro que no sistema capitalista o real é o limite e os atos esportivos vão contra a relação entre os meios e os fins.

Neste modelo de sociedade, o esporte passou a ser regido pelo desempenho, pela lógica da vitória a qualquer preço, por uma postura mercantilista.

O esporte seria uma mercadoria como qualquer outra e os esportistas, produtos a serem consumidos por um mercado cobiçado de bons negócios.

Deste modo, é com esta grande competição presente na sociedade que surgiram novas necessidades que devem merecer dos educadores reflexão e ação.
Esporte e cidadania
O corpo, que antes era incentivado a se moldar de acordo com as necessidades das fábricas e dos meios de produção, agora passa a ser influenciado a se enquadrar nos ideais de uma nova indústria, chamada Indústria Cultural, por ser capaz de modificar, produzir, ou orientar a criação de novas tendências de comportamento dentro da sociedade.


Em busca por se adequar a essa nova necessidade de "corpo perfeito" vem criar um novo indivíduo que deixa de ter uma identidade própria, passando a expressar a identidade que as várias etiquetas lhe concedem (SCHNEIDER, 1999).
Dentro da relação corpo - sociedade existe um peso que influencia fortemente a estrutura sócio - econômica e que esta que define, de cera forma, os limites e modelos da estrutura corpórea do brasileiro.

Desde a gestação o ser humano é modelado pelos vários vigentes, pela cultura, pela situação da classe social a qual pertence, e assim, dentro destas circunstâncias, nasce, cresce, vive, sobrevive, adoece e morre.
O mundo atual está ancorado em um modelo de existência em que o tempo e o fruto da ação humana constituem a matriz da convivência em sociedade. Nestes dois pólos, o homem, sujeito de sua própria história, tem experimentado palpáveis estilos de vida jamais imaginados e que não raro resultam por contrariar tudo aquilo que foi produzido como conhecimento e, desse modo, as verdades dos séculos XVIII, XIX e XX foram abaladas em função da busca de um ser perfeito no que se diz respeito ao físico.

Contudo, a Educação Física assim como a prática esportiva, apresenta evidências de que poderá participar do processo de crescimento e desenvolvimento humano, desde que se estruture a partir da caracterização da concepção de corpo que assume, da conceitualização e especificação de suas atividades próprias e de criar condições para humanizar, democratizar e organizar princípios que garantam a práxis pedagógica, tendo em vista superar a concepção de homem, de mulher, visto como um corpo máquina, que não pensa, não vive intensamente, limitado apenas a reproduzir o movimento que lhe é determinado (SILVA, 1995).
Conclusão
Cada dia mais estamos considerando o corpo humano como uma verdadeira construção cultural, sendo comparável a um pedaço de madeira que cada um esculpe de acordo com a sua própria vontade e satisfazendo os mais variados projetos individuais.
O desporto, na sua função de microcosmos da sociedade, há muito que se multiplicou em sentidos, permitindo que outras atitudes perante si também se pluralizassem sem, contudo, renunciar à sua essência.

Há muito que o desporto convocou para o seu seio a estética, a construção corporal idealizada na beleza das formas, a auscultação de novas sensações corporais, como o risco, o prazer, a experiência da subjetividade e, obviamente, a beleza.
O homem tem a consciência que é um ser finito e essa consciência cada vez mais é nos proporcionado pelo corpo.


Com efeito, o tempo somatiza-se, modificando de tal forma os nossos corpos que basta a imagem destes para que consigamos perceber a idade do outro.

Na busca da eternidade, o homem moderno tudo faz para que o corpo não evidencie as inapagáveis marcas do tempo, tentando assim iludir aquilo que é inflexível e, até hoje, invencível. Cresce o número daquelas pessoas que não querem ser vistas com determinado rótulo exterior, reflexo do tempo, mas com um outro, mesmo que o interior seja completamente diferente. Querem ser vistas sem o tempo, cristalizados num momento efêmero mas socialmente confortável, ou seja, querem permanecer jovens.


O corpo associado a estas idades é aquele onde tudo parece ser harmonia, onde a beleza se irradia com mais evidência, onde se atinge melhor a ilusão da idéia de perfeição humana.

É ainda o corpo com que muitos de nós gostaríamos de perpetuar para a eternidade.





Para que tal aconteça é necessário construir uma imagem esteticamente agradável, valendo tudo, mesmo o desporto, assumindo este um importante papel para a consecução deste processo de simulação (GARCIA, 1999).





Referências bibliográficas
BARRETO, Selva Maria Guimarães. Esporte e Saúde. Revista Eletrônica de Ciências - Número 22 - Outubro / Novembro / Dezembro de 2003.
FREIRE João Batista. De corpo e alma: o discurso da motricidade. São Paulo: Summus, 1991.
GARCIA, R. Da desportivização à somatização da sociedade. In: BENTO, J.; GARCIA, R.; GRAÇA, A. Contextos da pedagogia do desporto. Lisboa: Livros Horizonte, 1999. p. 113-63.
GONÇALVES, Maria Augusta Salin. Corporeidade e educação. Campinas: Papirus, 1994.
HELAL, Ronaldo George. O que é sociologia do esporte?. São Paulo: Brasiliense, 1990.
MARQUES, Renato. Esporte é Saúde? Universia.com.br
MEDINA, João Paulo Subirá. A Educação Física cuida do corpo... e "mente": bases para a renovação e transformação da Educação Física. Campinas: Papirus, 1989.
RIBEIRO, Nuno Cobra. A semente da vitória. São Paulo: SENAC, 2001.
RUBIO, Kátia. Do olímpo ao pós - olimpismo: elementos para uma reflexão sobre o esporte atual. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, v.16, nº.2, 2002.
SCHNEIDER, Omar. O corpo: uma abordagem histórica. Grupo PET- Educação Física. Sobre Educação Física. Vitória: UFES/CEFD, 1999.
SILVA, João Bosco da. Educação Física, esporte, lazer: aprender a aprender fazendo. Londrina: Lido, 1995.
VERENGUER, Rita de Cássia Garcia. Educação Física, Esporte, Dança, Lazer: fenômenos
distintos. 1989. Monografia (mestrado) - Universidade Estadual Paulista, Rio Claro.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Educação física X Violência


Estudante chora ao sair de escola em Memphis, no Tennessee. Uma discussão que teria começado fora do prédio acabou em uma aula de educação física quando um estudante deu dois tiros, um na nuca e outro no peito, de um colega.

Essa notícia poderia ser aqui mesmo no nosso "quintal", a violência nas escolas não é uma exclusividade brasileira.

Resolvi pesquisar um pouco a respeito, para meu desapontamento pude constatar que a violência invadiu a muito tempo o meio educacional como um todo, não apenas a educação física.



Ao folhear o livro de Kátia Pedreira Dias, Educação Física X Violência, oque era uma sensação tornou-se uma verdade. Não é necessário grandes deficiências socio econômicas para que haja violência.


O fato de estarmos tão próximos fisicamente do colega durante as aulas gera atritos com raízes muito mais profundas do que um jogo, disputa esportiva ou mero desentendimento, infelismente a degradação social e a insensibilidade do jovem atual gera com mais frequência essas manchetes diárias.


Estamos chegando ao extremo de ao ingressar na área educacional teremos de obrigatoriamente fazer um seguro de vida, devido a alto insalubridade profissional.


Assim já o fazem profissionais da área da saúde, afinal o risco tornou-se eminente.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A educação física e o desenvolvimento infantil

A educação física e o desenvolvimento infantil


A aprendizagem e o desenvolvimento estão inter-relacionados desde que a criança passa a ter contato com o mundo. Na interação com o meio social e físico a criança passa a se desenvolver de forma mais abrangente e eficiente. Isso significa que a partir do envolvimento com seu meio social são desencadeados diversos processos internos de desenvolvimento que permitirão um novo patamar de desenvolvimento.

A criança, por meio da observação, imitação e experimentação das instruções recebidas de pessoas mais experientes, vivencia diversas experiências físicas e culturais, construindo, dessa forma, um conhecimento a respeito do mundo que a cerca.

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Para que esses conceitos sejam desenvolvidos e incutidos no aprendiz, o meio ambiente tem que ser desafiador, exigente, para poder sempre estimular o intelecto e a ação motora desta pessoa. No entanto, não basta apenas oferecer estímulos para que a criança se desenvolva normalmente, a eficácia da estimulação depende também do contexto afetivo em que esse estímulo se insere, essa ação está diretamente ligada ao relacionamento entre o estimulador e a criança. Portanto, o papel da escola no âmbito educacional deve ser o de sistematizar esses estímulos, envolvendo-os em um clima afetivo que serve para transmitir valores, atitudes e conhecimentos que visam o desenvolvimento integral do ser humano.
O Papel da Educação Física no Desenvolvimento Humano

O principal instrumento da educação física é o movimento, por ser o denominador comum de diversos campos sensoriais. O desenvolvimento do ser humano se dá a partir da integração entre a motricidade, a emoção e o pensamento.

No caso específico da educação física, o profissional dessa área possui ferramentas valiosas para provocar estímulos que levem a esse desenvolvimento de forma bastante prazerosa: a brincadeira, o jogo e o esporte.

A partir da brincadeira e do jogo, a criança utiliza a imaginação que é um modo de funcionamento psicológico especificamente humano, que não está presente nos animais nem na criança muito pequena (Rego, 1995, p.81).

A partir da utilização da imaginação, a criança deixa de levar em conta as características reais do objeto, se detendo no significado determinado pela brincadeira.

Mesmo havendo uma significativa distância entre o comportamento na vida real e o comportamento no brinquedo, a atuação no mundo imaginário e o estabelecimento de regras a serem seguidas criam uma zona de desenvolvimento proximal, na medida em que impulsionam conceitos e processos em desenvolvimento" (Rego, 1995, p. 83)

Esse impulso dado aos conceitos e processos de desenvolvimento deverá ser fornecido pela educação física ao propiciar jogos e brincadeiras que, intencionalmente, estimulem a imaginação e a criatividade. Além disso, o processo de desenvolvimento dos indivíduos tem relação direta com o seu ambiente sócio-cultural e eles não se desenvolveriam plenamente sem o suporte de outros indivíduos da mesma espécie.

Dessa forma, percebe-se que a escola, e neste caso específico a educação física, tem um papel fundamental no aprendizado e conseqüentemente no desenvolvimento dos indivíduos, desde que estabeleça situações desafiadoras para seus alunos.

A interferência de outras pessoas (professor e outros alunos) é fundamental para o desenvolvimento do indivíduo. O papel do professor deve ser o de interventor intencional, estimulando o aluno a progredir em seus conhecimentos e habilidades através de propostas desafiadoras que o leve a buscar soluções, por intermédio da sua própria vivência e das relações interpessoais. Isto não deve significar uma educação autoritária, mas sim, uma educação que possibilite ao aluno, por meio de estratégias estabelecidas pelo professor, construir o seu próprio conhecimento, com a reestruturação e reelaboração dos significados que são transmitidos ao indivíduo pelo seu meio sócio-cultural.



Qualquer processo de ensino para ser eficiente deve levar em conta o nível de desenvolvimento real da criança e o seu nível de desenvolvimento potencial adequado a sua faixa etária, conhecimentos e habilidades que já possui.

O profissional de educação física ao trabalhar na educação infantil deve conhecer os estágios do desenvolvimento dessa fase, para proporcionar os estímulos adequados a cada etapa. Agindo dessa forma, o desenvolvimento será mais harmônico no campo motor, cognitivo e afetivo-social, trabalhando assim, o ser na sua forma integral.

A evolução infantil obedece a uma seqüência motora, cognitiva, e afetiva-social que ocorrerá de forma mais lenta ou mais acelerada, de acordo com os estímulos recebidos. A criança entre de 1 ano e meio e os dois anos de idade age sem refletir. O ato precede o pensamento. A partir dessa fase, a criança já adquire duas funções importantíssimas: o andar e a linguagem. O pensamento passa a ser projetado no exterior pelos movimentos e pela linguagem. Isto permitirá uma maior participação na sua relação com o meio. A ação da criança sobre o meio estimulará sua atividade mental. A partir daí, a criança começa a ter maior consciência sobre sua própria pessoa, iniciando a formação da sua auto-imagem. Em seguida, a criança vai iniciando a sua vida social ao formar pequenos grupos, porém ocorre uma troca constante de amizades e de grupos (escola, clubes,etc.). Esse intercâmbio social é essencial, pois leva a criança a se adaptar a diferentes papéis, reconhecendo-se como pessoa.

Nesse sentido, cada fase de desenvolvimento infantil tem suas próprias características, portanto, exige estudos aprofundados sobre os métodos pedagógicos, as qualidades dos estímulos fornecidos e a atuação intencional do profissional na aula de educação física. O professor deve levar em conta a peculiaridade de cada fase pela qual o aluno passa, as particularidades de cada jogo, brincadeira ou esporte que possam auxiliar o educando no seu desenvolvimento integral.

Pela importância que a infância representa na formação da personalidade do indivíduo, esses estudos devem estar respaldados por uma práxis pedagógica que leve a uma organização didática, modificando a visão de aulas de educação física de embasamentos estritamente empíricos, para uma visão mais científica, evitando-se um choque entre teoria e prática o que poderá refletir negativamente na formação de nossos jovens.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Educação Fisica deixada de lado

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É precária a situação da Educação Física Escolar no Brasil e em outros países da América do Sul, como a Argentina.
Falta de planejamento e direcionamento específico para as necessidades de cada série e etapa de aprendizagem, carência de material básico, de infra-estrutura e de um programa de atualização dos professores um cenário bem parecido com o da década de 1960 em que a disciplina não era considerada essencial para a formação dos alunos.
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Há profissionais mal preparados e acomodados e turmas lotadas.
É esse o diagnóstico alarmante da Educação Física Escolar (EFE) brasileira feita pelo II Fórum de Educação Física Escolar que aconteceu nesta semana em Foz do Iguaçu no Paraná.
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A EFE é um direito de todos os quase 53 milhões de estudantes matriculados na Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) no Brasil, segundo dados do Educacenso de 2007 do Ministério da Educação (MEC), divulgados no último dia 10.
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, os estudantes têm o direito a ter aulas de Educação Física na grade curricular como um componente da proposta pedagógica das escolas.
Mas infelizmente esse direito dos estudantes tem sido desrespeitado, acredita o professor Célio José Borges, da Universidade Federal de Rondônia e coordenador do fórum.
Segundo ele, a Educação Física Escolar (EFE) não é debatida com seriedade desde a década de 1980 e acabou sendo deixada de lado no planejamento pedagógico das escolas.
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Com a experiência de 28 anos na área, foi do professor a iniciativa da criação de um fórum para discutir soluções para o ensino da Educação Física dentro do Congresso Mundial de Educação Física, que acontece anualmente em Foz do Iguaçu no Paraná desde 1985.
A primeira edição do debate aconteceu em 2007.
Tivemos uma participação bastante significativa.
O encontro gerou uma carta de intenções e caminhos para a Educação Física Escolar, conta o coordenador.
As discussões chamaram a atenção de especialistas e educadores de outros países e na edição deste ano o fórum passou a incorporar debates sobre EFE no âmbito do Mercosul. Recebemos esse ano palestrantes de cinco continentes.
Não é só no Brasil que a Educação Física Escolar vai mal, nossos vizinhos argentinos, por exemplo, enfrentam os mesmos problemas, acredita Borges.

Soluções Transformar a escola em um centro de excelência esportiva, de prevenção da obesidade e doenças e criar o hábito nos estudantes da prática regular de exercícios são os principais objetivos de uma EFE de qualidade, de acordo com o professor Célio Borges.
Como está hoje, a Educação Física Escolar se resume, muitas vezes, a dar uma bola para as crianças jogarem. Falta pedagogia e o processo é excludente, deixando de lado aqueles que têm dificuldades físicas e psicológicas de integração.
A EFE tem um potencial incrível, que tem sido desperdiçado, de ser uma parceira no processo cognitivo de crianças de todas as idades, avalia o professor.

Para conseguir atingir esses objetivos, Borges acredita ser necessário investimentos significativos em infra-estrutura e formação de professores, além de rever a alocação de recursos para a Educação Física pelas secretarias, prefeituras e escolas.
Precisamos discutir desde temas estruturais como a carga horária das aulas de EFE dentro do currículo escolar, que tem sido desrespeitada, bem como questões metodológicas, como o retorno dos exames médicos e biométricos para acompanhar o desenvolvimento dos alunos, sugere o professor.

Para ele não adianta investir no esporte escolar sem pensar na Educação Física. Muitos investimentos acabam indo na direção errada, estimulando um tipo de atividade física na escola que tem caráter competitivo e não formador.
Se tivermos uma EFE fortalecida, o desenvolvimento do esporte na escola será uma conseqüência natural, acredita.

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Ações Para o fórum de 2009, que deve acontecer na segunda quinzena de janeiro, a perspectiva é de que as discussões comecem a se tornar realidade por meio de ações junto a Conselho Federal de Educação Física e o MEC.
Um dos nossos desafios é mensurar numericamente a situação da EFE no Brasil e fazer com que os debates do fórum sejam aplicados regionalmente por meio de boas políticas públicas. 2009 será, oficialmente, o ano da Educação Física Escolar pela Federação Internacional de Educação Física.
Esperamos que seja um ano para começarmos a tirar o Brasil da defasagem em que se encontra, espera o professor Borges.